Animação

na França

MERCADO DO CINEMA DE ANIMAÇÃO NA FRANÇA

O cinema de animação reúne todas as produções cinematográficas e audiovisuais com imagens animadas (animação gráfica ou digital), e a França é líder na Europa em volume de produção (com mais de 330 horas de programas áudio visuais em média produzidos nos últimos cinco anos) e é o 3° produtor mundial, atrás dos Estados Unidos e do Japão. A produção na França é atraente para o mercado internacional, e mais de um terço de sua produção é exportada.  

No cinema, a criatividade francesa tem uma longa historia, com obras fundamentais como Le Roi et l’Oiseau (Paul Grimault – primeiro lançamento em 1953 e relançado em 1980) e La Planète Sauvage (René Laloux – 1973). O sucesso significativo da animação francesa em salas internacionais entretanto começou em 1999 com Kirikou et la Sorcière, de Michel Ocelot, e se confirmou em seguida com Persépolis, Les Triplettes de Belleville, e Arthur et les Minimoys. Atualmente, mais de 85% dos filmes produzidos por ano na França fazem carreira no exterior.  

Com a televisão, a vital produção francesa passou a ter acesso a novos mercados e a territórios que antes eram fechados. Com isso, a animação francesa passa a ser exportada não só para a Europa Ocidental (62% das vendas), mas também para a América do Norte (11%), para a Ásia (9%) e para a América Latina (5%). 

 

O sucesso se explica nomeadamente pela qualidade das escolas francesas. Escolas como Gobelins, Rubika (marca que reúne Supinfocom e Supinfogame) e La Poudrière são responsáveis pelo “French Touch” já conhecido e procurado. As politicas de financiamento constante explicam também um tal dinamismo. Os recursos oferecidos pelo Centre National du Cinéma et de l’Image Animée (CNC), dão aos produtores um aporte financeiro interessante, que se completa  com a obrigatoriedade dos canais de TV de financiarem a produção nacional e portanto a criação.

As politicas de incentivo criam valores em termos de renda, mas também em termos de emprego, já que  incitam os produtores franceses a produzirem os seus programas na França.

Por exemplo, os longas Meu Malvado Favorito 1 e 2, bem como Minions, foram fabricados pelo Mac Guff, um estúdio francês de efeitos digitais. O seu departamento de animação desenvolveu um programa próprio, que é a chave do sucesso dos três filmes, tanto na França quanto no exterior. A produtora, empregando mais de 500 pessoas, foi comprada pela Universal Studios e passou a fazer parte da Illumination Entertainment, continuando assim mesmo a produzir em seus estúdios parisienses, na França.

O desempenho do setor permitiu que a França se posicionasse no mercado internacional, onde se tornou referência. A cidade de Annecy organiza anualmente o maior mercado e o maior festival de animação do mundo. Além disso, o MIFA (Marché International du Film d’Animation) também acontece todo ano, paralelamente ao  Festival de Animação de Annecy, atraindo criadores, vendedores e distribuidores vindos de mais de 60 países.

 

FESTIVAL INTERNACIONAL DE ANIMAÇÃO DE ANNECY E O MIFA

  • O Festival Internacional do Filme de Animação de Annecy é referencia mundial no cinema de animação. Criado em 1960, o Festival movimenta todo ano a região de Haute-Savoie, no coração dos Alpes. É um evento especial para descobrir obras-primas da animação, para acompanhar as tendências atuais e futuras, e para encontrar diretores e talentos emergentes. O Festival tem uma seleção oficial e apresenta um programa com filmes de animação realizados a partir de diversas técnicas (desenho animado, recortes de papel, massa de modelar, stop motion, 3D...) classificados em varias categorias: longas, curtas, filmes de TV e de comando, e filmes de formatura. O Brasil foi extremamente bem representado nas ultimas edições do festival, tendo recebido o premio máximo, o Cristal do longa-metragem, por dois anos consecutivos com os filmes Uma História de Amor e Fúria, de Luiz Bolognesi em 2013 e O Menino e o Mundo, de Alê Abreu em 2014. Neste ano de 2015, outro trabalho brasileiro, Guida de Rosana Urbes, desta vez de curta-metragem, acaba de conquistar dois prêmios: o de melhor primeiro filme e o prêmio da associação de críticos franceses. O Marché International du Film d’Animation, ou MIFA, é um evento imperdível da indústria do cinema de animação, facilitando coproduções, compras, vendas, financiamentos e a distribuição de conteúdo para todo tipo de suporte e divulgação. O MIFA dispõe de um espaço de 4000 m2, recebendo mais de 2500 participantes e 500 expositores internacionais por ano

A ESPECIALIZAÇÃO DOS ESTÚDIOS DE ANIMAÇÃO FRANCESES

  • Na França, cerca de cem estúdios empregam mais de 5000 profissionais, de acordo com o relatório do Grupo Audiens sobre o Mercado da Animação em 2013. Em termos de jogos de vídeo, são 350 estúdios empregando 8000 pessoas, sendo 3000 na produção. “O mercado dos jogos de vídeo na França é a segunda maior indústria cultural, ficando atrás somente do mercado de livros” comenta Emmanuel Martin, representante do SELL (Sindicato dos editores de programas e softwares de entretenimento).

    Às vezes é difícil saber qual a nacionalidade de um jogo ou de um filme, já que as produções se tornaram internacionais. Com isso, a produtora francesa Illumination Mac Guff, que produziu o famoso filme de animação “Meu Malvado Favorito”, tem financiamento nos Estados Unidos, e a Ubisoft, criada em 1985 pelos cinco irmãos bretões Guillemot, poussui hoje 27 estúdios no mundo inteiro!

     

    No setor da produção de animação, além de suas qualidades já conhecidas, os estúdios franceses tem uma vantagem a mais para atrair os coprodutores estrangeiros: o sistema de crédito de impostos aplicado às produções internacionais, que favorece a produção de filmes estrangeiros na França.  Este crédito é dirigido às produções de cinema e de audiovisuais (filmes únicos ou séries) de ficção ou de animação, concebidos por uma produtora estrangeira mas cuja produção seja realizada total ou parcialmente na França. O crédito concedido é de 30 % das despesas do filme na França, podendo chegar a um valor de crédito máximo por projeto de 30 milhões de euros. O crédito de impostos é concedido a produtores executivos Franceses.

AS ESCOLAS DE ANIMAÇÃO NA FRANÇA

  • Não é de hoje que as escolas de animação da França são reconhecidas por seu alto nível. A mais antiga, Gobelins, criada em 1963 pela CCI (Camara de Comércio e da Indústria) de Paris, inaugurou o curso de “Cinema de Animação” em 1975, atendendo à demanda dos estúdios de criação, que estavam rodando na época a série de filmes Astérix. Treze anos depois, em 1988, a CCI de Grand-Hainaut na região de Valenciennes (59) fundou sua escola de animação, a Supinfocom, suprindo a necessidade das empresas locais  de tratamento da imagem. No ano 2000, uma segunda escola foi inaugurada em Arles, para se tornar independente e passar a se chamar MOPA (Motion Picture in Arles) em 2015. A Supinfogame, escola dos jogos de vídeo, foi criada em 2001. A Supinfocom e a Supinfogame se juntaram em 2013, criando a Rubika, que goza de excelente reputação graças aos prêmios recebidos por seus alunos em festivais internacionais. A fama da escola fez com que um milionário indiano, DS Kulkarni, comprasse a licença da Supinfocom para criar uma filial em Puna, perto de Bombaim (Mumbai), mantendo inclusive os mesmos professores.  

     

    O sucesso das escolas francesas é relacionado principalmente aos seus laços estreitos com as empresas do setor. Em 2015, o grupo Rubika instala a sua nova sede em Valenciennes, com uma incubadora digital que reúne empresas, cursos de nível superior e pesquisa, todos em função da criação. Em Angoulême, a CCI criou o EMCA (École des Métiers du Cinéma d’Animation) dentro da Magelis, que é o Polo de imagens da cidade, reunindo vários estúdios. Uma situação parecida com a da escola La Poudrière de Valence, inspirada em “La Cartoucherie” de Bourg-les-Valence. La se concentram os principais estúdios franceses e outras empresas ligadas à animação (Folimage, TeamTo, Foliascope, Fargo, Les Films du Nord, Les Ecrans de la Drôme et de l'Ardèche, Le Bureau Cinéma Drôme-Ardèche, L’Equipée...). Além disso, outras escolas particulares estão também ligadas aos estúdios: a ISART Digital (Escola de jogos de vídeo e de animação 3D) tem um modelo de pedagogia baseado no sistema de ‘alternância’, em que os alunos começam a trabalhar nas empresas do setor durante os estudos, e a LISAA (L’Institut Supérieur des Arts Appliqués) convida regularmente profissionais ativos para encontros com os alunos.  

    As escolas francesas também são afiliadas à RECA, Rede de Escolas de Cinema de Animação, que reúne 21 escolas francesas de animação.  http://www.reca-animation.com

    http://www.lacartoucherie.fr //  http://www.serre-numerique.fr/ //  http://www.magelis.org/

    Quanto ao gaming, temos entre as principais escolas alguns denominadores comuns com as escolas de animação como a SupInfoGame de Valenciennes (do grupo Rubika), a Gobelins ou ainda a Créapôle. “Além disso, alguns estabelecimentos renomados como o ENJIMIN de Angoulême por exemplo, estão levando o dinamismo da criação francesa às melhores escolas do mundo”, afirma Julien Villedieu, o Presidente do SNJV. 

 

DADOS ECONÔMICOS ANIMAÇÃO FRANCESA