Paisagens Coreográficas Contemporâneas


Uma coleção de 23 filmes sobre a dança contemporânea na França e no mundo.

Em primeiro lugar, uma série de documentários cuja particularidade é o fato de terem sido produzidos por coreógrafos : Alain Buffard, que homenageia Anna Halprin, personalidade do mundo da dança contemporânea americana, em seqüências interpretadas por ambos; Régis Obadia, que retraça a trajetória de Dominique Mercy, como se buscasse revelar o segredo deste excepcional bailarino de Pina Bausch; Seydou Boro, que desenha um retrato de Irène Tassembédo, com um filme que revela o novo impulso da dança contemporânea africana; Jeannette Dumeix, que explora a questão da terminologia da dança e compõe um glossário em imagens e movimentos; Alain Platel, que comemora os 20 anos da sua companhia, Les Ballets C. de la B., apresentando seqüências que traçam o perfil dos intérpretes movimentando-se no dia-a-dia; por fim, Josef Nadj, que apresenta um auto-retrato em que revela as origens da sua dança. Josef Nadj e Alain Buffard, assim como vários outros coreógrafos do sexo masculino (Angelin Preljocaj, Mark Tompkins, Christian Bourigault, Dimitri Chamblas, etc.), estão presentes em L´Homme qui Danse, documentário em que Rosita Boisseau e Valérie Urréa exploram a questão da identidade masculina no universo da dança contemporânea francesa.

Outros documentários mergulham no cerne do processo coreográfico, acompanhando o trabalho de elaboração de um espetáculo : Cris de Corps, sobre O´More, criação do senegalês Bernardo Montet; Odile Duboc, une Conversation Chorégraphique, sobre a remontagem de Projet de la Matière, um dos principais trabalhos da coreógrafa; Les Pieds sur Scène, filme que marca uma etapa para a companhia Black Blanc Beur; Danser l´Invisible, para captar a essência do trabalho do japonês Saburo Teshigawara, coreógrafo que vem conquistando um espaço crescente na França nos últimos anos; e, por fim, Corps Accords, que nos faz mergulhar diretamente na criação de April Me, da coreógrafa Anne Teresa de Keersmaeker e do compositor Thierry De Mey.

É também o compositor Thierry De Mey que vemos, desta vez com a câmera na mão, filmando uma remontagem magistral do espetáculo de William Forsythe, One Flat Thing. Longe de serem uma simples captação de imagens, essas remontagens cinematográficas liberam-se da estrutura cênica para conduzir-nos a cenários naturais situados em paisagens longínquas ou mobilizar técnicas cinematográficas que buscam romper a frontalidade do espetáculo vivo. É o caso dos filmes La Madâa, em que Benjamin Silvestre transpõe o espetáculo de Héla Fattoumi e Eric Lamoureux para o sul da Tunísia; Uzès Quintet, em que Catherine Maximoff recompõe as criações de cinco coreógrafos em plena natureza; Divagations dans une Chambre d´Hôtel, em que Philippe Barcinski e Dainara Toffoli fragmentam e amplificam uma coreografia de Bruno Beltrão; ou Kaspar Konzert, em que François Verret, com a ajuda de Sylvie Blum, posiciona o espectador em pleno sopro vital do dançarino Mathurin Bolze, no ponto exato em que vibra o coração do seu dispositivo coreográfico; e é também o caso de Paso Doble, performance de Josef Nadj e Miquel Barceló, cujos segredos Augustí Torres filma em cada marca deixada na argila.

Por fim, algumas ficções experimentais nos conduzem pelos caminhos insólitos da criação, uma criação abundante em que cinema e dança avançam de mãos dadas, abrindo, para nós, perspectivas infinitas e ainda pouco exploradas. É o caso dos filmes de Pierre Coulibeuf, Somewhere in Between (com Meg Stuart) e Pavillon Noir (com Angelin Preljocaj), bem como de dois filmes oriundos da escola de Le Fresnoy : Entropie, de Jérôme Thomas, e Le Corps Silencieux, de Emmanuel Vantillard.



Filmes da coleção

  • A Dançarina de Ébano
  • A Dançarina de Ébano

A Dançarina de Ébano

La Danseuse d’ébène (França 2002). Em cores/52’.

Sinopse, Solicitar a locação deste filme, Disponível em DVD

Sinopse

De Seydou Boro.

Seydou Boro, que durante um tempo trabalhou como intérprete com Mathilde Monnier, é também coreógrafo e produtor. Este seu documentário é dedicado a uma das maiores personalidades da dança de origem africana, Irène Tassembédo – nativa, como ele, de Burkina Fasso, onde o filme foi inteiramente rodado. Este “retrato filmado”, que apresenta também Germaine Acogny, contribui para a restauração de todo um segmento da história da dança, investigando os laços e as tensões existentes entre dois continentes e duas culturas. Irène Tassembédo reside na França há 20 anos. Em 1978, em Burkina Fasso, foi selecionada para freqüentar a escola Mudra-África, fundada por Maurice Béjart em Dacar e dirigida por Germaine Acogny. Conhecer Irène Tassembédo conduz à reflexão sobre um tema essencial: a questão do corpo, tanto em termos dos seus valores como do seu imaginário, e a concepção particular que ele assume para os dançarinos africanos confrontados com a aprendizagem da dança contemporânea ocidental. Ilustrando a sua trajetória com um grande número de entrevistas, sessões de trabalho e viagens, o filme evoca uma abordagem que parte de uma autêntica convicção: Irène Tassembédo considera que a dança africana deve situar-se em um mundo em evolução, mas sem virar as costas à sua própria gestualidade nem permanecer estagnada em um esquema tradicional geralmente associado ao folclore. Sua experiência abrange duas gerações de artistas e os seus respectivos questionamentos em relação à criação contemporânea e à miscigenação cultural.

DVD 11 da coleção "Paisagens Coreográficas Contemporâneas".

DVD

  • Corpos Acordes
  • Corpos Acordes

Corpos Acordes

Corps, accords (França 2002). Em cores/59’.

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Sinopse

Filme de Michel Follin.


Bruxelas, 2001. Anne Teresa De Keersmaeker lança April me, espetáculo que coincide com o 20° aniversário da sua companhia, Rosas. Para esta criação, a coreógrafa belga trabalhou em estreita colaboração com o compositor Thierry De Mey. Todo este processo em perpétua evolução foi filmado por Michel Follin. Dos ensaios às conversas entre os artistas, um questionamento toma forma e desenvolve-se em torno das relações entre a música e a dança. O que é que se transforma na organização do tempo e do espaço? Como se desenvolve o vocabulário? Estas questões, colocadas por Anne Teresa, permeiam a criação de April Me. Residente no Théâtre de la Monnaie durante algum tempo, a coreógrafa não tardou a conquistar renome internacional. Seu trabalho explora e recorre a todos os campos artísticos, do teatro ao vídeo, do texto à partitura musical, buscando intensificar ao máximo o vínculo entre a música e a dança. Filmado antes da apresentação do espetáculo, o diálogo entre o compositor e a coreógrafa evolui ao longo do tempo, recebendo posteriormente a contribuição dos dançarinos e músicos. Corps Accords mergulha o público na elaboração do vocabulário coreográfico, na dramaturgia musical, em pesquisas sonoras, na reflexão sobre a criação e a disposição no espaço, na tensão da pré-estréia – ou seja, em instantes voluptuosos de pesquisas, delírios e experiências, no epicentro da elaboração de uma obra e de um trabalho em que se cruzam muitas vozes.


DVD 9 da coleção "Paisagens Coreográficas Contemporâneas".

DVD

  • Divagações em um Quarto de Hotel
  • Divagações em um Quarto de Hotel

Divagações em um Quarto de Hotel

Divagations dans une chambre d?hôtel (França 2005). Em cores/25’.

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Sinopse

Filme de Philippe Barcinski, Dainara Toffoli.


De que maneira a palavra se articula com a linguagem corporal ? Como o movimento e o pensamento podem interagir, sobretudo em um corpo único? A partir destes questionamentos, Bruno Beltrão cria Eu e meu Coreógrafo no 63, espetáculo cuja remontagem cinematográfica resulta no filme Divagations. A interposição de imagens urbanas, fragmentadas e multiplicadas, acentuam a tensão e o caráter deslocado do solo. Seduzido pela street dance em 1993, quando tinha 13 anos, Beltrão não tarda a destacar-se como um dos seus principais representantes no Brasil. Para ele, o hip hop é a base da sua expressão. No entanto, com o Grupo de Rua de Niterói (sua cidade natal), que ele funda três anos mais tarde com Rodrigo Bernardi, o que este artista busca não é tanto se destacar, mas liberar-se de códigos e clichês: “o hip hop colocou em órbita um vocabulário rico e inovador. Agora, é preciso fazer com que entre em crise. Ao nos distanciarmos e dissecarmos o seu vocabulário, poderemos descobrir novas estéticas”. É neste sentido que ele tem trabalhado, com extraordinária maturidade, desde as suas primeiras obras, recorrendo sobretudo a processos de criação usados na dança contemporânea. Por sua dimensão intimista, pelo domínio da composição gestual, pela partitura sonora, constituída pela voz do dançarino, pela palavra em constante busca do sentido, Eu e meu Coreógrafo é um exemplo característico da linguagem elaborada por Bruno Beltrão. M. B.
DVD 2 da coleção "Paisagens Coreográficas Contemporâneas".

  • Dominique Mercy dança Pina Bausch
  • Dominique Mercy dança Pina Bausch

Dominique Mercy dança Pina Bausch

Dominique Mercy danse Pina Bausch (França 2003). Em cores/56’.

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Sinopse

Filme de Régis Obadia.


O filme retraça a trajetória de um dançarino excepcional, bem como a história do seu encontro e da colaboração exemplar que desenvolveu com uma das principais figuras da dança contemporânea – uma colaboração artística e uma amizade nunca denegadas em 30 anos, nas quais a necessidade de afirmação individual nunca foi maior que a generosidade, a modéstia e a dedicação à obra. Membro do Tanztheater de Wuppertal desde a sua fundação, em 1973, Dominique Mercy é um personagem indissociável da aventura artística de Pina Bausch e da maioria das suas criações. A sua virtuosidade, a qualidade peculiar do seu movimento, o domínio da arte e o leque de possibilidades que ele oferece – aliados à capacidade de superar a técnica, de liberar-se, – bem como as suas qualidades humanas e a natureza do seu compromisso, fizeram com que se tornasse um dos mais notáveis intérpretes da coreógrafa. Para compor este retrato sensível, complementado com os testemunhos de Pina Bausch, Françoise Adret, Jean Babilée, Carolyn Carlson, Malou Airaudo e Lutz Gregor, o coreógrafo e dançarino Régis Obadia dialogou longamente com Dominique Mercy, investigando diversos aspectos do seu trabalho: tempo de pesquisa, ensaios, ensino, etc. Com o auxílio de fotografias e trechos de espetáculos, ele mostra a evolução de um ser que se dedicou totalmente à sua arte. M. B.

DVD 12 da coleção "Paisagens Coreográficas Contemporâneas".

DVD

  • Entropia
  • Entropia

Entropia

Entropie (França 2002). Em cores/10’.

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Sinopse

Filme de Frédéric Dryja e Jérôme Thomas.


Uma jovem é acordada, em meio a um sonho, por uma torneira que pinga. Quando se levanta para fechá-la, os objetos que a cercam começam a vibrar de maneira sobrenatural. A jovem tenta compreender, mas é novamente transportada por um sonho. O filme apresenta a dançarina e coreógrafa Emmanuelle Huynh em uma atmosfera insólita, onde tudo parece estar sujeito à lei da entropia. Tudo se transforma com o passar do tempo – assim podemos definir a lei da entropia. No filme de Jérôme Thomas, nada é estável, nada é certeza. Embora a montagem seja clássica, este curta-metragem surpreende pela ausência de narração – embora também não seja um “filme sobre dança”. Nele, reina uma sutil ambigüidade, dissipando-se a fronteira entre o sonho e a realidade: a água que escorre na noite infiltra-se no sonho, enquanto o mundo, ao despertar, é agitado por estranhos ruídos. Neste universo flutuante, as vibrações sonoras dissimulam ritmos e a graça contida dos gestos parece anunciar a dança. Mas este meio-termo indefinível, por mais preocupante que seja, não seria justamente o que caracteriza esta arte do movimento, pela essência transitória? Reduzida a um certo grau de incerteza, a dança faz uma viagem de volta às origens, de volta a um jogo com os elementos. A coreografia minimalista da última seqüência formula misteriosamente este jogo : lançado ao solo, brincando com a ausência de gravidade, o corpo é capaz de erguer-se.

Presente no DVD 1 da coleção "Paisagens Coreográficas Contemporâneas".

DVD

  • Gritos de Corpos
  • Gritos de Corpos

Gritos de Corpos

Cris de corps (França 2003). Em cores/52’.

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Sinopse

Filme de Céline Serrano.


Entrar no processo de criação de O. More, espetáculo criado em 2001 por Bernardo Montet, consiste em retraçar uma grande viagem. No Senegal e em Brest (França), Céline Serrano acompanhou o coreógrafo e os intérpretes nas suas pesquisas, captando momentos de dança, trocas de ideias e reflexões: corpos que dançam na areia, intérpretes que trabalham com textos lidos em diversos idiomas ou permanecem em segundo plano, de onde pode, a qualquer momento, surgir um grito. “O ser humano é modelado a partir do que acontece ao seu redor”, acredita Bernardo Montet. O coreógrafo, à escuta desta sensação, finca o seu movimento – um estado físico, um estado de consciência, no qual se vem gravar uma determinada ideia do corpo. O.More dá corpo a esta idéia, delineando um horizonte nômade em que a dança aprofunda a sua identidade e questiona tudo o que vem de fora, as suas diferentes situações, a imagem em duplicata e a violência. O filme acompanha as diversas etapas desta criação, em que todos os intérpretes são do sexo masculino: três músicos Gnawa e seis dançarinos originários de países longínquos: Quênia, Gabão, Marrocos, Grécia e Costa do Marfim. No segredo dos corpos, jaz uma figura idêntica, a de Otelo. Juntos, tornam-se mouros, um coral com uma única partição coreográfica, onde se inventa um novo poema épico de enigmáticos rituais. I-. F.
DVD 10 da coleção "Paisagens Coreográficas Contemporâneas".

DVD

  • Josef Nadj – Última Paisagem
  • Josef Nadj – Última Paisagem
  • Josef Nadj – Última Paisagem

Josef Nadj – Última Paisagem

Josef Nadj – dernier paysage (França 2005). De Josef Nadj. Em cores/51’.

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Sinopse


Neste filme, que ele próprio produziu, a memória geográfica é o interesse central do coreógrafo Josef Nadj. Construindo o seu trabalho sobre dois alicerces, ele coloca em perspectiva o seu universo e o processo de criação de um dos seus espetáculos, Last Landscape, criado em parceria com o percursionista Vladimir Tarasov. Este “auto-retrato frente à paisagem” explora gestos e materiais a partir de um espaço real, revisitado por meio de desenhos, trechos do espetáculo e comentários. Partindo de uma primeira imagem, um livro aberto sobre um mapa, Josef Nadj, diretor do Centro Coreográfico Nacional de Orléans, conduz o espectador à essência do seu trabalho, evocando a porosidade das fronteiras: as da sua terra natal, Voivodina, no interior da Hungria (atualmente região da Sérvia), bem como o seu próprio gesto artístico, cujo imaginário é marcado por esta realidade geográfica e cultural. Entre elementos biográficos e exploração de uma paisagem real, próxima da cidade onde o artista nasceu – um pedaço de terra inóspita atravessada por rios de águas argilosas –, ele faz surgir a visão de um mundo remanejado para o palco. Desenhar no papel ou com o movimento e deixar o papel ou o corpo impregnarem-se com esses sinais misteriosos têm por origem uma mesma preocupação do artista: “acolher uma outra verdade, a efemeridade, a transição e a partilha com o público.”.
DVD 4 da coleção "Paisagens Coreográficas Contemporâneas".

DVD

  • Kaspar Konzert
  • Kaspar Konzert

Kaspar Konzert

(França 2001). Em cores/25’.

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Sinopse

Um filme de Sylvie Blum e François Verret.


Kaspar Hauser “veio à luz” em Nuremberg em maio de 1828, quando tinha 17 anos. Até então trancado em uma cela, praticamente não sabia falar nem andar e comportava-se como uma criança pequena. O caso, na época, foi amplamente comentado e ainda hoje desperta o interesse de cientistas e a inspiração de poetas. Em 1998, François Verret dedicou-lhe um espetáculo do qual este filme é uma adaptação. A partir de notas publicadas na época pelo presidente do Tribunal de Recurso da Baviera, Verret deixou de lado a questão do segredo da origem de Kaspar Hauser, focalizando-se nas condições de encarceramento – um “crime contra a alma humana” – e no processo posterior de aprendizagem e confrontação com a sociedade. Fiel a uma preocupação presente em toda a sua obra, o coreógrafo revela a violência exercida pela sociedade em sua necessidade imperiosa de normalização e a exclusão de que são vítimas, por conseguinte, aqueles que fogem à norma – transformados por ela em cobaias ou monstros de circo. Filmado com câmeras leves que conduzem o espectador ao âmago do dispositivo criado por Claudine Brahem, imergindo-o no universo mental de Kaspar (interpretado de maneira sublime por Mathurin Bolze), Kaspar Konzert coloca em destaque as qualidades próprias à obra de François Verret – uma obra não narrativa e ligeiramente deslocada, um ponto de convergência das artes cênicas, onde a música desempenha um papel fundamental. M. B.
DVD 3 da coleção "Paisagens Coreográficas Contemporâneas".

DVD

Este filme requer a autorização do distribuidor para cada solicitação de locação.

  • La Madâ’a
  • La Madâ’a

La Madâ’a

(França 2005). Em cores/25’.

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Sinopse

Filme de Benjamin Silvestre.


Depois de Animal Regard e Entre Temps, Héla Fattoumi e Eric Lamoureux decidiram dar prosseguimento à estreita cumplicidade desenvolvida no trabalho com o cineasta Benjamin Silvestre. Adaptado da peça epônima criada em 2004 para sete dançarinos e dois músicos, o filme foi rodado no sul da Tunísia. Entre luz e sombra, muros e ruelas, linhas curvas e ângulos retos, as danças exploram a figura do entrelaçamento, em constante sintonia ou oposição com a música. La Madâ’a, criação de Héla Fattoumi e Eric Lamoureux, dá continuidade a espetáculos anteriores destes artistas, como Wasla, trabalho sobre o vestígio e a memória das origens, e Husais, peça fundadora a partir da qual a colaboração artística entre os dois tomou corpo. O trabalho foi uma maneira de questionar as suas próprias trajetórias, mas com o cuidado de criar vínculos, de construir uma ponte entre culturas diferentes que também simbolizam as suas próprias origens e pesquisas criativas. A música do compositor Samir Joubran – encontro entre a dança contemporânea ocidental e o alaúde, instrumento de origem árabe – torna-se aqui um desafio coreográfico compartilhado por cinco outros intérpretes de diferentes países. Próximo da dança impulsiva, com seus traços ora fortes ora suaves, o cineasta prioriza a energia, a eclosão dos gestos, a fricção entre os corpos e as relações do indivíduo com o grupo. I. F.
DVD 2 da coleção "Paisagens Coreográficas Contemporâneas".

  • Léxico Dançado
  • Léxico Dançado
  • Léxico Dançado

Léxico Dançado

Lexique dansé (França 2002). Em cores/60’.

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Sinopse

Um filme de Jeannette Dumeix.


Como fazer para que a matéria dançada fique impressa fisicamente na imagem? A partir deste questionamento, a coreógrafa Jeannette Dumeix desenvolveu este projeto original, cujo objetivo não é tantar captar o movimento, mas traçar o caminho de onde ele vem e identificar o que o produz. Filmando coreógrafos e intérpretes em pleno trabalho, Jeannette Dumeix constrói um vocabulário dançado, no qual as palavras ligadas à dança são listadas por ordem alfabética. Odile Duboc, Emmanuelle Huynh, Laura de Nercy, Hervé Robbe, Loic Touzé, Marc Vincent, Latifa Laâbissi, Yves-Noël Genod, Jennifer Lacey: nove dançarinos, coreógrafos e performers participaram do projeto. Jeannette Dumeix e Vincent Bosc, videasta-músico, conviveram com eles durante a preparação de novos espetáculos. A presença da câmera faz-se discreta para filmar o instante pausado e explorar a atividade parcelar dos corpos, recolhendo as palavras que formam o vocabulário da dança, definida aqui como “ato pelo qual o corpo se mobiliza”. Depois de analisado, o material reunido foi reorganizado em função da pesquisa sobre o movimento e dos resultados revelados pelas diversas seqüências. Jeannette Dumeix, neste documentário, evidencia com extrema precisão a matéria coreográfica, o espaço intermediário entre os corpos e as palavras que o movimento faz nascer.




DVD 1 da coleção "Paisagens Coreográficas Contemporâneas".

DVD